domingo, 26 de abril de 2009


a. O TEMPLO

Este edifício foi primeiramente construído por Salomão e destruído por Nabucodonosor; o segundo templo foi erigido por Zorobabel e permaneceu até o tempo de Herodes, o Grande; e o terceiro, começou a sua construção em 19 a.C. e foi destruído no ano 70 d.C. pela general romano Tito. Os judeus enciumados com o templo não deixaram que Herodes o derrubasse de uma só vez, para construir outro.

O santuário incluía o Lugar santo e o Lugar Santíssimo, segundo o modelo do tabernáculo. Era imediatamente circundado pela corte dos judeus, mais abaixo peça corte das mulheres, e mais abaixo inda pela corte dos gentios, nesta havia lugar para a venda de ovelhas e pombas, e cambistas de dinheiro, para atender aos judeus da dispersão.

Os muros ao oriente davam para frente do vale de Josafá, e ao sul para o Vale de Hinon (Gehena), onde se queimavam os detritos da cidade.

As grandes festas atraíam as multidões à cidade, e a adoração centralizava-se no templo. As horas do culto eram às 09, 12 e 15. Os sacerdotes serviam por turmas e observava-se um elaborado ritual de sacrifícios. Os judeus tinham como uma realidade incontestável a manifestação do Senhor no Propiciatório. Só o Sumo-sacerdote podia penetrar no lugar santíssimo, e só uma vez ao ano.

b. A SINAGOGA

Antes do cativeiro as práticas religiosas de elevada categoria somente eram celebradas no templo de Jerusalém. A lição das Escrituras fazia-se publicamente em qualquer lugar (Jr 36:6-15). O povo tinha liberdade de buscar instrução em casa dos profetas, onde quer que estivessem (II Re 4:38). Enquanto durou o cativeiro babilônico era impossível assistir o culto no templo de Jerusalém, e por isso foram-se erguendo sinagogas em diversas partes, dentro e fora da Judéia.

b.1 O Termo

O termo é essencialmente grego (sinagogh). Em geral a LXX traduz lhq (qahal) por ekklesia, mas em 36 casos traduz por sinagogh. O sentido básico é de um lugar de reunião, e dessa maneira veio a denotar um lugar de adoração dos judeus. Nas Escrituras trata-se da reunião de indivíduos de uma localidade com o fim de adorar ou de fazer alguma coisa em comum (Lc 12:11 e 21:12). Acabou designando o edifício onde tais reuniões eram efetuadas.

b.2 A Importância

A sinagoga foi a instituição que realmente imprimiu caráter è fé judaica. Nelas os judeus aprenderam a ler e interpretar a Lei. Sem o templo os judeus exilados voltaram-se para uma compensação: a TORAH. A. Manes escreveu: “nos sábados e dias santos a perda do templo e a ausência das celebrações sacrificiais solenes eram grandemente sentidas pelos exilados, e a sinagoga servia como substituto do templo. Na sinagoga não havia altar, e a oração e a leitura da TORAH tomavam o lugar do sacrifício. Além disso, a casa de oração realizava uma função social, era um ponto de reunião onde o povo podia congregar-se sempre que fosse necessário aconselhar-se sobre importantes assuntos da comunidade.

A sinagoga tornou-se berço de um tipo inteiramente novo de vida social e religiosa, e estabeleceu o alicerce para uma comunidade religiosa de escopo universal. Deus agora era levado ao povo onde quer que habitasse.

Antes de Jesus, Deus usou as sinagogas para alimentar no coração do seu povo a “esperança messiânica”.

b.3 Como Nasceram

Em sua legítima função a sinagoga nasceu na Babilônia, no período em que o povo de Deus esteve em cativeiro. Nabucodonosor deu aos judeus um bairro em Babilônia. Nesse lugar tinham liberdade de cultuar ao Deus vivo.

Por iniciativa dois escribas, a Lei começou a ser copiada, lida e interpretada. Sentiram a necessidade de um culto prestado a Deus e começaram esse culto ora em uma casa, ora noutra. Sempre aos sábados. Começaram a cantar alguns Salmos, liam a TORAH e alguém interpretava. Das casas particulares passaram para uma casa destinada a esse trabalho - era a sinagoga.

b.3 Disseminação

No primeiro século da nossa era, havia sinagoga onde houvesse um número considerável de judeus: Salamina (At 13:5); Antioquia da Psídia (At13:14); na Beréia (At 17:10) etc. Diz-se que quando Jerusalém foi destruída por Tito no ano 70 d.C., havia em Jerusalém em torno de 394 sinagogas.

De acordo com a lei judaica, pelo menos dez homens eram necessários para se formar uma sinagoga.

b.4 Suas Atribuições

Na época apostólica as sinagogas além de serem um lugar de culto e estudo da TORAH, também tinham um caráter punitivo e até inquisitivo (Mt 10:17; 23:34; Mc 13:9; At 22:19 , 26:11).

Na sinagoga não se oferecia sacrifícios. Liam-se as Escrituras e fazia-se orações.

b.5 Espaço físico

O espaço destinado aos assistentes continham uma instante ou um púlpito onde se lia as escrituras, uma armário para guardar os rolos dos livros e alguns assentos destinados ?às pessoas mais ricas da congregação e aos anciãos (Mt 23:6; Tg 2:2,3). Os lugares mais distintos ficavam próximos do armário onde se guardava a Lei. Os homens ocupavam lugares separados da mulheres. Havia lugares reservados onde se aplicavam os castigos decretados pelas autoridades da sinagoga (Mt 10:17; At 22:19).

b.6 O Programa de Culto

1. Recitação da Confissão de Israel (Shema = ouve).

2. Oração de arrependimento.

3. Leitura do VT A Lei era lida todos os sábados. Como o povo não dominava mais o hebraico, vinham os targuns (interpretação da Lei).

4. O chefa da sinagoga fazia exortação ou convidava alguém para fazê-lo. Aqui Paulo aproveitava para pregar.

5. A liturgia terminava com uma oração e com a bênção ordenada por Deus aos filhos de Arão (Nm 6:24-26) feita por um sacerdote.

b.7 A Sinagoga e a Pregação do Evangelho

A sinagoga em muito contribuiu para o desenvolvimento do Evangelho pelos seguintes motivos:

1. A preservação e a disseminação da esperança messiânica.

2. Dava ao Apostolo Paulo uma oportunidade de pregação e um auditório cativo.

2. Tanto judeus como gentios podiam ser evangelizados, pois nas sinagogas, além dos israelitas, os “tementes” se faziam presentes para ouvir a pregação.

c. O SINÉDRIO

c.1 O Termo

No grego sinagogh mega,lh (sinagogê megále), ou seja, “a grande sinagoga” ou sune,drion (sinédrion). Designava o mais alto tribunal de justiça dos judeus (Mt 26:59; Mc 14:55; Lc 22:66; Jo 11:47; At 4:15; 5:21; 24:20). Reunia-se em Jerusalém.

c.2 Como Nasceu

Existem duas vertentes quanto a origem do Sinédrio:

1. Alguns acham a semente do sinédrio nos 70 anciãos que Moisés designou em Nm 11:16-24.

2. Outros vêem o berço do sinédrio na Sinagogê Megále que Esdras e Neemias organizaram após o exílio (Ed 7:25,26; 10:14; Ne 2:16; 4:14,19; 7:5).

Em I Macabeus 12:3,6 e 14:30 registra-se um tribunal judaico que tinha contato com Antíoco, o Grande. Esse corpo judiciário era constituído de anciãos e representavam a nação. Eram escolhidos dentre a aristocracia (I Mc 12:6 e II Mc 1:10; 4:44 e 11:27).

Depois da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. o sinédrio dois substituído pelo Beth Din (tribunal de julgamento) que se reunia em Jabné (68-70), Usah (80-116), Safra (140-163), Seforis (163-193) e Tiberíades (193-220).

c.3 Como era Constituído

Inicialmente era constituído pela aristocracia sacerdotal, predominantemente de saduceus. No tempo da rainha Alexandra (76-67 a.C.) fariseus e escribas foram acrescentados. Herodes favoreceu os fariseu sem detrimento dos saduceus. Nos dias do NT o sinédrio era constituído do Sumo-sacerdote, bem como daqueles que já haviam exercido esse cargo, os anciãos (gente importante da sociedade) e finalmente fariseus e saduceus (Mt 26:3, 57,59; Mc 14:53; 15:1; Lc 22:66; At 4:1,5; 5:17,21,34; 22:30). Os membros do sinédrio eram bouleuth.j (bouletês = conselheiros) como José de Arimatéia (Mc 15:43 e Lc 23:50). O sumo-sacerdote em exercício era o presidente do sinédrio. Caifás presidiu o julgamento de Paulo (At 23:2).

c.4 Sua Jurisdição

No tempo de Cristo grande era o poder do sinédrio. Abrangia as áreas civil e criminal. Tinha autoridade administrativa e podia ordenar prisões (Mt 26:47; Mc 14:43; At 4:1); podiam julgar casos, menos os de pena de morte (At 4 e 5). Aqueles julgamentos que implicavam em pena de morte necessitavam da sansão romana (Jo 18:31). O único caso de pena de morte aplicado pelo sinédrio foi o de Jesus. A morte de Estevão parece mais um ato ilegal da multidão.

O sinédrio não podia reunir-se à noite, senão depois de nascer o sol. O julgamento de Jesus pelo sinédrio foi ilegal, pois transcorreu à noite (Mt 26:57,58; Mc 14:53-65). Depois do raiar do sol o sinédrio ratificou a sentença (Mc 15:1; Mt 27:1; Lc 22:26-71).

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Doutorando em Ciências da Religião (PUC-GO), Mestre em Ciências da Religião (PUC-GO), Licenciatura em Pedagogia (UVA-CE), História (UVA-CE), Matemática (UNIFAN-GO) e Bacharel em Teologia (FACETEN-Ro). Professor de Metodologia do Ensino da Matemática; Metodologia do Ensino das Ciências Naturais; Educação e Cultura; Fundamentos Epistemológicos da Educação e Educação, Sociedade e Meio Ambiente, Filosofia, Ética, Ciências Políticas (FANAP).